Luanda Vieira: ex editora da Glamour e Vogue, hoje atua de forma autônoma com o seu bem-estar em primeiro lugar!
- Julia Fumiko
- 19 de out. de 2024
- 5 min de leitura
Luanda Vieira é formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e é especialista em moda. Já trabalhou nas tão sonhadas Vogue e Glamour e foi a primeira brasileira a fazer parte do Comitê Global de Diversidade e Inclusão da Condé Nast.

Vogue e Glamour
Luanda sempre foi apaixonada pelo jornalismo de revista e acreditava que, para falar sobre moda, era necessário saber um pouco de tudo. Afinal, a moda permeia todos os aspectos da sociedade. Em 2014, ela ingressou na área de Comunicação Corporativa da Editora Globo. Embora não fosse exatamente sua área de preferência, aceitou o cargo porque sentiu que isso se aproximava das grandes revistas de moda brasileiras, que faziam parte do mesmo grupo. E de fato essa oportunidade abriu portas: alguns anos depois Luanda tornou-se freelancer para a Glamour e em seguida foi efetivada como repórter até alcançar o cargo de editora de moda
Em menos de dois anos, Luanda atingiu o auge da sua carreira no jornalismo de moda ao se tornar editora de beleza e bem-estar na Vogue. Nesse período, ela também conquistou um feito notável: foi a única brasileira a participar do Comitê Global de Diversidade e Inclusão da Condé Nast, no qual discutiram estratégias para fazer da empresa uma referência nesse tema tão relevante. Fun Fact: um dos membros do grupo era ninguém menos que Anna Wintour, a icônica editora-chefe da edição norte-americana da Vogue. Luanda me contou que Anna foi super atenciosa e realmente se aprofundou no assunto.
Apesar de ter alcançado o que sempre quis — tornar-se editora antes dos 30 —, Luanda conta que o caminho foi muito difícil. O ritmo intenso de trabalho levou a um esgotamento, o que a fez pensar quais eram suas prioridades. Foi nesse momento que você viu a necessidade de desacelerar e colocar sua saúde em primeiro lugar. Atualmente, Luanda apresenta o podcast "O Corre Delas", na Obvious, e realiza consultorias para marcas de moda e beleza, focadas em diversidade e inclusão.

Jornalismo digital: os Infoencers
Em fevereiro de 2024, o renomado The New York Times publicou uma matéria que discutia a fusão entre jornalistas e influenciadores, criando o termo “Infoencer”. Esse conceito reflete uma transformação que estamos presenciando nas últimas décadas: a crescente influência das redes sociais nas vozes que moldam o debate público, e o jornalismo tem sido uma das áreas em destaque nesse movimento.
A evolução da presença dos jornalistas nas redes sociais é, na verdade, uma adaptação natural do jornalismo à era digital. Tradicionalmente, os grandes jornalistas sempre foram vistos como figuras públicas, quase como celebridades. Com a popularização das redes sociais, os jornalistas têm mais um canal para se expressarem e interagirem com o público.

Essas comunicações trouxeram uma nova dinâmica ao jornalismo, permitindo que profissionais da área utilizassem suas plataformas pessoais para oferecer análises aprofundadas e interpretações sobre notícias em tempo real, sem os filtros editoriais tradicionais. O alcance imediato e o engajamento direto com o público mudaram a forma como as informações são consumidas, tornando os jornalistas ainda mais acessíveis e participativos na construção das narrativas. Um excelente exemplo dessa tendência é a própria Luanda, que soube utilizar sua experiência e aplicar essa evolução ao jornalismo de moda para construir uma presença forte nas redes sociais.
Entrevista Fash Fresh
Como eu disse anteriormente, você passou por grandes empresas como a Vogue e a Glamour, e hoje você apresenta o podcast na Obvious. Eu queria saber como você enxerga a migração desses veículos tradicionais, como a Vogue, para uma pegada mais da Obvious que está 100% online.
Olha, eu acho que são duas coisas completamente diferentes, sabe? A gente tende a achar que quando surge uma nova tecnologia o jornalismo vai acabar e tal. Se eu fosse pensar nisso, há 12 anos atrás, eu não faria jornalismo. E a gente sempre consegue se reinventar. O jornalismo é essencial para tudo, é uma utilidade pública.
O que acontece é que têm marcas que conseguem se adaptar de acordo com as transformações tecnológicas. Eu não consigo comparar o que a Vogue faz com o que a Obvious faz, pois são coisas completamente diferentes. A Obvious é nativa digital, já nasceu com essa pegada. A Vogue precisa diariamente se adaptar. Eu entendo que a Obvious é um outro processo, porém igualmente importante e relevante, cada um no seu canto.
Eu acho muito importante a gente saber aproveitar o que as redes trazem de expansão do nosso conteúdo, o quanto ele se torna mais democrático, por exemplo.
2. Como você vê o papel das redes sociais na maneira como as pessoas consomem conteúdo relacionado à moda e estilo de vida?
Olha, tem o que eu acho e o que eu acho que deveria ser. O que eu acho que deveria ser é você pegar essa informação que você está vendo na rede social, se não for um conteúdo aprofundado buscar um conhecimento maior sobre aquilo. Mas hoje, eu acho que a gente está tão apressado com tudo que o que a gente vê ali a gente se dá por satisfeito, sabe? Esse ano, por exemplo, eu entendi que as minhas legendas precisavam ser mais aprofundadas, pois é isso, eu dou a possibilidade do meu seguidor. Se ele quiser se aprofundar ele não vai ficar ali só na foto ou só no texto que eu coloquei no carrossel. E a diferença de se ter um influenciador digital que também é jornalista está nesse lugar, essa preocupação com a notícia, com o que você está falando.
Um ponto crítico é que as redes são perigosas para quem não tem esse tipo de discernimento de entender o que funciona e o que faz sentido para você.
3. Quais são os desafios e oportunidades que você enxerga no jornalismo de moda em meio ao cenário das redes sociais e da internet? E como você enxerga o futuro do jornalismo de moda?
Como eu falei sobre democratização. Você ter um espaço nas redes sociais. Por exemplo, quando eu saí da Vogue eu virei o meu próprio veículo. E eu acho isso muito valioso, pois eu posso fazer a linha editorial que eu quero, que eu acredito e as pessoas que estão ali me acompanhando também acreditam, né? Pois a gente segue muito as pessoas por identificação, eu vejo um potencial muito grande. E outra, não é sobre a quantidade de seguidores que você tem, todo mundo independente de ter 100 ou de ter 1 milhão, é influenciador dentro da sua comunidade, todo mundo é influente de alguma forma.
E assim, eu vejo o futuro do jornalismo brilhante, ele é um negócio que não vai acabar! A gente continua fazendo jornalismo com as redes sociais, não faz sentido a gente ter medo ou duvidar da longevidade dele, pois sem informação a gente não vive.
4. Segundo uma matéria da The New York Times, estamos vivendo uma nova geração do jornalismo, no qual os jornalistas estão migrando para as redes sociais sendo intitulados como “influencers”, sendo assim, eles criaram um novo termo chamado Infoencers, são eles, influenciadores que são jornalistas e que hoje utilizam das redes sociais para noticiar o público. Hoje você se encaixaria nesse grupo, certo?
Sim, eu acredito que sim! Eu nunca me intitulei. Desde que eu saí do mercado, eu nunca fui a influencer do ‘look do dia’, sabe? E eu acho que eu me perdi nisso, pois eu tentei ser algo que eu não era, eu tentei ser a influencer do ‘look do dia’.
Mas eu saí num momento que o mercado estava mudando, e aí eu fui percebendo que eu não precisava ser a ‘look do dia’. Eu até posso postar, mas eu dou uma informação que é muito além. Então, eu me encaixo nesse grupo e eu vejo que cada vez mais os jornalistas têm migrado, tanto pela sobrevivência do negócio, quanto para pessoas autônomas, como eu, e segue ali numa linha nas redes sociais.



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