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Amábile Reis: da Capricho ao Garotas Estúpidas

  • Foto do escritor: Julia Fumiko
    Julia Fumiko
  • 9 de out. de 2024
  • 5 min de leitura

Atualizado: 1 de dez. de 2024

A Amábile é uma jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, e iniciou sua carreira na tão aclamada revista Capricho - sonho - como social media e hoje é editora chefe do primeiro blog de moda do Brasil: o Garotas Estúpidas!! Além disso, Amábile compartilha sua rotina e pensamentos na internet. Já segue ela @amabilerreis! 



Capricho


Bom, para a gente entender um pouquinho mais dessa revista que foi tão importante na vida de muitas meninas, vamos voltar para onde tudo começou! Fundada em 1962 pela Editora Abril, a Capricho foi a primeira revista feminina do Brasil, inicialmente voltada para publicações de fotonovelas. Após 20 anos, a revista decidiu focar 100% no público teen. Tinha como missão ser mais do que apenas uma publicação, conseguindo se tornar uma amiga e conselheira para muuuuitas meninas - me enquadro -  que estavam começando a desvendar as descobertas da adolescência. Desde sua estreia, a revista abordou temas de moda, beleza, bem-estar e comportamento, sempre com uma linguagem mais acessível e um toque mais íntimo, sabe? Criando uma conexão com suas leitoras. Em apenas quatro anos, a revista alcançou o impressionante marco de 500.000 cópias por edição vendidas, consolidando-se como a maior tiragem, até então, da América Latina! 





Ao longo das décadas, Capricho foi muito mais do que uma simples fonte de entretenimento. Ela foi um guia essencial para meninas que estavam construindo suas identidades, ajudando-as a expressarem suas personalidades por meio da moda, beleza e comportamento. Mais que isso, a revista foi pioneira ao criar um diálogo aberto sobre temas que, até então, eram pouco discutidos, como autoestima, sexualidade e bem-estar emocional, oferecendo às adolescentes um espaço seguro para se expressarem e explorarem sua individualidade. O que eu sinto ser o diferencial da revista, elas conseguiram ter o toque de um blog, numa revista impressa!! Foram super pioneiras nessa ligação emocional.  


Com o nascimento da internet, a revista não perdeu tempo ao migrar para o meio digital nos anos 2000. A Capricho mostrou sua visão a frente de seu tempo, criando a tão famosa TV Capricho no YouTube e outras iniciativas online que ampliaram ainda mais seu alcance. Quem não se lembra dos colírios da Capricho? 


Foi então, que em 2015 a Capricho interrompeu suas edições impressas e se estabeleceu 100% no ambiente digital. Foi também nesse mesmo momento, que a Amábile entrou para o time como Social Media, assumindo o desafio de levar adiante o sucesso da revista em um cenário onde a concorrência era imensa e todos tinham acesso às mesmas ferramentas. Manter-se relevante em um mundo onde as vozes são muitas não é tarefa fácil, mas Amábile conseguiu continuar criando essa conexão única com o público! 


Mais do que uma revista, a Capricho foi, e continua sendo, uma plataforma essencial para a autoexpressão e autoconhecimento de muitos jovens!!


Garotas Estúpidas


Com um propósito semelhante ao da Capricho, o Garotas Estúpidas nasceu com a missão de ser uma amiga para suas leitoras. Há 18 anos, a empresária Camila Coutinho lançou o primeiro blog de moda do Brasil, abordando temas como moda e beleza. Camila foi uma verdadeira precursora ao trazer o universo da moda, que muitas vezes parecia inacessível, para perto de suas leitoras de maneira descomplicada e acolhedora. Seu trabalho foi um divisor de águas, influenciando o surgimento de inúmeros outros blogs e contribuindo para a onda de blogueiras que tomou conta dos anos 2010, evoluindo para o fenômeno das influenciadoras digitais que conhecemos hoje.





A Camila soube adaptar o GE às novas plataformas, fazendo questão de estar presente nas redes sociais, ampliando a forma como se conectava com seu público. E foi em 2020 que Amábile entrou para o time do Garotas Estúpidas, com o desafio de aumentar o engajamento, levando os conteúdos do blog para um novo formato, ainda mais descomplicado e acessível. Essa transição trouxe uma nova faceta ao jornalismo digital, mostrando que, com uma linguagem rápida e direta, é possível continuar criando conexões profundas com o público. Hoje, o GE além de manter o blog atualizado diariamente, ele está presente no Instagram, TikTok, Pinterest, Youtube… Mostrando o quão essencial é manter-se atualizada nesse mercado apesar de já ser consolidado, sabe? 


Segundo a Amábile, hoje um dos papéis principais do GE é ajudar suas leitoras, que já são um público mais velho do que a Capricho por exemplo, a entenderem de onde surgem as tendências, como aplicá-las em seu dia a dia, e ajudá-las a verem se ela realmente faz sentido ou se é só mais uma tendência que vai passar!



Entrevista Fash Fresh



  1. Na sua opinião, qual é o papel do jornalismo de moda na sociedade contemporânea e como isso se reflete em seu trabalho?


Hoje em dia, temos muitas tendências e muito ruído, e acredito que o nosso papel como jornalistas é, primeiramente, informar o que está acontecendo e, além disso, tentar decodificar essas novas tendências: se elas são realmente interessantes ou se são apenas a mesma coisa com um nome diferente.


  1. Que a moda é uma forma de expressão, nós já sabemos. Mas hoje nós estamos vivendo uma enxurrada diária de novas tendências, um dia é a clean girl, depois é a messy…  Como você acha que nós nos blindamos dessa frivolidade e mantemos nossa identidade? 


É difícil! Como eu disse, é ótimo que o TikTok esteja aqui para dar espaço a muitas pessoas se expressaem, mas, ao mesmo tempo, há muitos conteúdos virais, e essa comunicação pode gerar ruído para muitas pessoas. Principalmente porque aquilo pode ser apresentado como algo necessário para sua vida, e nem todos terão condições de adotar todas as tendências.


O conselho que eu dou é entender o que você gosta e o que funciona para você. Busque inspirações e veículos de jornalismo que traduzam essas tendências de forma adequada para você


  1. E para finalizar, tenho uma reflexão. Segundo uma pesquisa da Reuters, hoje 39% dos brasileiros consomem o jornalismo nas redes sociais. Isso tem muito haver com uma outra pesquisa, da Microsoft, na qual ela fala que a capacidade de atenção do humano hoje é apenas de 8 segundos. Por esses e outros muitos motivos, eu vejo essa migração do jornalismo para as redes sociais. Agora você, que trabalha na área, como você acha que a gente vai se manter nessa velocidade frenética tanto de criação de conteúdo como de consumo? 


Sendo sincera, eu acho isso muito triste. Por exemplo, na época em que trabalhei na Capricho, as redes sociais já eram muito fortes, mas ainda existia muito o "link na bio" e as pessoas realmente clicavam e liam matérias completas e conteúdos mais apurados. Já quando fui para o Garotas Estúpidas, senti essa mudança drástica, em que as pessoas simplesmente não saem de uma rede social para ir para outro lugar. E aí, você tem que tentar resumir o máximo possível a informação para que assim tenha a aderência do público.


O que eu tento fazer no GE é trabalhar um copy que atraia um leitora, despertando nela o desejo de ler mais sobre o conteúdo. O lead já aparece na legenda, com mais informações, e depois direcionamos para o blog, onde estará a matéria completa para quem quiser saber mais sobre o assunto.


Confira a entrevista:



completa aqui: 


 
 
 

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